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23-07-2010 as 15:05h
Perfeição moral
“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.” Paulo de Tarso, na Epístola aos Romanos

Por João de Oliveira

Pretendendo aprimorar os meus conhecimentos sobre a perfeição moral, procurei alguns livros que versam sobre o assunto e, no evangelho, encontrei a orientação do Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”.

Ora, sabemos perfeitamente que quando se fala de perfeição humana, trata-se de uma perfeição relativa e não absoluta, porque somente o Criador possui a perfeição infinita e absoluta. Se à criatura fosse concedido ser tão perfeita quanto o Criador tornar-se-ia igual a Este, o que não é admissível.

Conforme ensinamento de Sócrates, o filósofo grego da antiguidade, o autoconhecimento era um dos pontos fundamentais para a perfeição do homem. “Conhece-te a ti mesmo”, frase inscrita no Templo de Apolo, era a recomendação básica para os seus discípulos.

Sócrates, também, percebe que a sabedoria começa pelo conhecimento da própria ignorância. “Só sei que nada sei”, é o princípio da sabedoria e é atitude de superar o conhecimento enganoso pelo verdadeiro. Seu objetivo inicial era demolir, nos discípulos, o orgulho, a ignorância e a presunção do saber.

Assim sendo, como eu sei que nada sei, e isso, muita gente também sabe, apelei para o Dr. Kano Karo, o grande moralista japonês, perguntando o que ele sabia sobre a perfeição moral.

Então, disse-me ele o seguinte: meu caro amigo João, como budista que sou, poderia citar para você as Quatro Verdades Nobres e o Nobre Caminho das Oito Trilhas, ensinado por Buddha. Mas, para melhor compreensão dos ocidentais, falarei fundamentado em doutrina ocidental.

Segundo a Doutrina dos Espíritos, os caracteres da perfeição consistem em amar os vossos inimigos, fazer o bem aos que vos odeiam e orar pelos que vos perseguem e caluniam.

Encontramos, ainda, a alegação de que o verdadeiro homem de bem é aquele que: Pratica a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza; Tem fé em Deus, submetendo-se a sua vontade à Dele; Tem fé no futuro e, por isso, coloca os bens permanentes acima dos bens temporais; Sabe que todas as vicissitudes da vida são provas ou expiações, e as aceita sem mormurar; Possuído pelo sentimento de caridade, faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrifica o seu interesse pela justiça; É bom para todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem exceção de raças ou de crenças; Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia; Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência; Não se compraz em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência; Estuda as suas próprias imperfeições e trabalha, sem cessar, em combatê-las; Aproveita sempre as ocasiões para ressaltar as qualidades dos outros, e não as suas; Se Deus lhe deu o poder e a riqueza, olha essas coisas como um depositário do qual deve usar para o bem, e disso não se envaidece porque sabe que Deus, que lhes deu, também poderá retirá-los.

Por falar em poder e riqueza, lembrei-me daqueles que lutam, com unhas e dentes, para conseguir o poder e a riqueza, sem nenhuma capacidade para atender os requisitos do encargo.

Como se sabe, a riqueza e a autoridade é delegação do Criador, ao elemento que honestamente foi incumbido de tão importante missão. Mas, não importa como você conquistou o poder ou a fortuna, se você foi honesto ou desonesto em seus atos, pois terá que prestar contas de tudo.

Ninguém, aqui na terra, é proprietário de coisa alguma, porque tanto a fortuna quanto o poder, podem ser retirados sem o nosso consentimento. Quando aqui chegamos, trazemos apenas o que nos pertence e, da mesma forma, quando viajamos para a pátria dos imortais, levamos somente o que é nosso. Tudo que desfrutamos na terra pertence ao Criador do Universo e a Ele, consequentemente, teremos que prestar contas. Pois, tudo que possuímos, a título precário, foi simplesmente colocado sobre a nossa responsabilidade.

Na verdade, tudo tem um preço, de forma que, nem a graça é de graça, porque para se receber uma graça é necessário o merecimento. Quem quer que seja depositário da fortuna ou da autoridade, não deve esquecer que tem pessoas a seu cargo e que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e que sobre ele recairão todas as faltas cometidas e as consequências dos maus exemplos.

Mas, para todo problema existe uma solução. Quem não é “homem de bem”, por exemplo, conquista o título da seguinte forma: Trocar o orgulho pela humildade, a vaidade pela modéstia e a sobriedade, a inveja pela resignação, o ciúme pela sensatez e a piedade, a avareza pela generosidade e a beneficência, o ódio pela afabilidade e a doçura, o remorso pela compreensão e a tolerância, a vingança pelo perdão, a agressividade pela brandura e a pacificação, o personalismo pelo companheirismo e a renúncia, a maledicência pela indulgência, a intolerância pela misericórdia, a impaciência pela paciência e a mansuetude, a negligência pela vigilância e a abnegação, a ociosidade pela dedicação e o devotamento.

Aqui, o início foi mostrado.

João de Oliveira
João de Oliveira é advogado

kanokaro@bol.com.br

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