23-07-2010 as 15:03h
Bullying nas escolas: como reconhecer?
As vítimas são indivíduos ou grupos que sofrem as consequências das atitudes de outros e que não dispõem de recursos e maturidade, status ou habilidade para reagir fazendo cessar os atos danosos empregados contra si
Por Tâmara Xavier
Bullying é um termo inglês, que refere-se ao verbo ameaçar, intimidar, utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, que ocorrem sem motivação evidente, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender, causando dor e angústia, e executados dentro de uma relação desigual de poder. Evidenciamos que tal comportamento é praticado em várias culturas.
As ações principais dos agressores se resumem em espalhar comentários maldosos, de cunho pejorativo sobre a vítima; a recusa em se socializar com a vítima; intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima; e criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc).
Os agressores são, normalmente, indivíduos que têm pouca empatia e costumam pertencer a famílias sem estrutura emocional com baixa qualidade nas trocas afetivas, cujos pais não têm autoridade sobre as crianças, e quando se torna urgente a necessidade de se contornar conflitos, são manifestados comportamentos explosivos e agressivos para controlar a situação. Admite-se que os que praticam o Bullying têm uma potencial probabilidade de se tornarem adultos com atitudes anti-sociais, possivelmente com violência, podendo vir a adotar, no futuro, atitudes delinquentes ou criminosas. Os estudiosos da psiquiatria ressaltam que a violência, por vir crescendo de maneira desenfreada, vem produzindo seus reflexos nas crianças, além disso, cada vez mais o individualismo e a competitividade são estimulados no meio escolar, o que acaba por diferenciar os estudantes de acordo com suas habilidades e características físicas e psicológicas.
Quanto ao gênero, observamos que as meninas apresentam uma tendência a praticar o bullying de forma mais dissimulada, sutil, isolando a vítima do grupo, já os meninos costumam ser mais agressivos, partindo para ataque físico.
As vítimas são indivíduos ou grupos que sofrem as consequências das atitudes de outros e que não dispõem de recursos e maturidade, status ou habilidade para reagir fazendo cessar os atos danosos empregados contra si. Um forte sentimento de insegurança os impede de solicitar ajuda.
São pessoas com baixa autoestima, sem esperança quanto às possibilidades de se enquadrarem ao grupo, e caso não encontrem apoio de algum adulto pode ocorrer um agravamento no seu sofrimento, chegando inclusive a acreditar que merecem tais retaliações, evidenciando sua passividade. Observa-se a queda no desempenho escolar, e para não se depararem com a rotina das agressões, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a simular doenças. Nos casos mais graves, apresentam depressão e acabam tentando ou cometendo o suicídio. Se conseguirem encontrar apoio e contornar a situação, acabam amadurecendo mais cedo e caso o talento que possuem seja despertado, aumenta a possibilidade de serem muito bem sucedidas, pois essa determinada aptidão as libertará do bullying, fazendo com que elas sejam respeitadas inclusive pelos seus agressores, que podem passar a apreciar sua habilidade.
As testemunhas, que são a grande maioria dos alunos, convivem com a violência e ficam omissas em razão do temor de se tornarem as "próximas vítimas" e apesar de não sofrerem as agressões de forma incisiva, muitas delas podem sentir incômodo com o que observam e inseguras sobre como agir, pois veem a violação de seu direito a aprender em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Dessa forma, sua capacidade de progredir acadêmica e socialmente é diretamente afetada.
Lembramos enfim, que apenas a escola não consegue solucionar o problema, mas é potencialmente nesse ambiente que se apresentam os primeiros sinais de um agressor, e há uma tendência de que ele seja assim por toda a vida a menos que seja tratado. Torna-se fundamental que este jovem tenha exemplos a seguir de pessoas que não finalizem as situações com violência, esses exemplos, portanto devem partir principalmente dos professores e dos pais, destacando que o Bullying só se resolve com o envolvimento de toda a escola - direção, docentes e alunos - e a família.